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CPLP/20 anos Maioria conhece organização, mas idealiza mais e melhor

A capital de Timor-Leste ultima hoje os preparativos para ser a capital da lusofonia com o início da reunião de pontos focais da cooperação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Dili, Timor-Leste, 16 de julho de 2014. Aquele encontro dá início à preparação da cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que se vai realizar no dia 23, quando Timor-Leste assumir pela primeira vez a presidência da organização que lhe vai ser entregue por Moçambique. ANTÓNIO AMARAL/LUSA

A maioria dos cidadãos lusófonos ouvidos pela Lusa conhece a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que cumpre hoje 20 anos, mas idealiza mais e melhor, com a livre circulação de pessoas à cabeça.

Redação, 17 jul (Lusa) — A maioria dos cidadãos lusófonos ouvidos pela Lusa conhece a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que cumpre hoje 20 anos, mas idealiza mais e melhor, com a livre circulação de pessoas à cabeça.

Nos depoimentos recolhidos pela agência Lusa em oito dos nove Estados-membros da organização – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, poucos mostraram saber da adesão da Guiné Equatorial em 2014.

A maioria dos entrevistados pela Lusa destacou a importância da CPLP na ligação entre povos com história comum, mas admitiu desconhecer os Estados-membros que a integram, omitindo frequentemente a Guiné Equatorial, incluindo, nalguns casos, Macau e esquecendo-se, por vezes, de Timor-Leste, que aderiu em 2002.

Outra das grandes dúvidas manifestadas está ligada aos objetivos da CPLP, sobretudo a pouca visibilidade da organização e o pequeno ou nulo impacto prático nas populações, destacando a necessidade de ser promovida a livre circulação de pessoas e bens no espaço lusófono, independentemente da descontinuidade geográfica.

Em Luanda, António Cascais, 44 anos, técnico de telecomunicações, Francisco Neves, relações públicas, 59 anos, Joaquim Capulende, estudante, 26 anos, e Ana Pascoal, funcionária pública, 41 anos, todos angolanos, relevaram a pretensão da livre circulação, lembrando as dificuldades em conhecer outro país que não o seu.

“É tudo o que o povo deseja. Haveria mais facilidade de estarmos todos juntos e trocarmos interesses”, disse Francisco Neves, corroborado pelos restantes angolanos ouvidos pela Lusa em Luanda, defendendo, paralelamente, que a promoção do ensino da língua portuguesa terá de ser “mais apoiada”.

Em Moçambique, de onde é natural o atual secretário-executivo da organização, Murade Murargy, as ideias são as mesmas, mas Paula Saranga, técnica de informática, e Hilário Caldeira, funcionário público, pedem maior intervenção da CPLP na resolução de problemas políticos e económicos dos Estados-membros.

“Os países da lusofonia precisavam de uma organização que unisse as diferentes realidades e a CPLP, felizmente, trouxe isso. Agora, é importante avaliar o impacto da CPLP na resolução dos problemas dos países integrantes. A CPLP precisa de ter uma posição mais ativa na resolução dos problemas”, sintetizou Hilário Caldeira.

A CPLP também não é desconhecida em Cabo Verde e, embora seja difícil enumerar corretamente quem pertence à organização, os cabo-verdianos ouvidos pela Lusa insistem na questão da livre circulação, “urgente”, assim como o fim das sucessivas burocracias.

Salvador dos Reis Borges, 72 anos, reformado, e Hilário Varela, 54 anos, comerciante, afirmaram acreditar que a CPLP, com o tempo, trará melhorias, pois ainda há muito caminho a percorrer.

“Não sei muito mais sobre a CPLP, mas acho que é uma boa instituição. Pena que a livre circulação ainda não funcionou. Não sei porque ainda não aconteceu. É urgente. Eu não tenho problemas em circular nos países da CPLP, mas conheço muita gente que tem problema, porque, para adquirir visto, são precisas muitas condições”, defendeu Hilário Varela.

Em Bissau, a história repete-se, mas a importância da CPLP conferida pelos guineenses ouvidos pela Lusa é esbatida pela ideia de que se esperava mais da organização lusófona, que nem sequer consegue “uma integração efetiva” entre os diferentes povos.

Com a exceção do taxista Yaya Cassamá, que disse desconhecer o que era a CPLP, os restantes guineenses exigem “mais esforços” de concertação política e de “mais apoios” aos Estados-membros com problemas, como no caso da Guiné-Bissau.

Moacir Go e Macário Sampa, ambos estudantes, Ivone Barreto, administrativa, e João Mendes, docente da Faculdade de Direito de Bissau, são, porém, unânimes na necessidade de maior apoio político à Guiné-Bissau e a uma “maior abertura” à livre circulação, afirmando compreender, no entanto, que tal não tenha ainda acontecido.

“Entendo as críticas que são feitas à CPLP. Não é fácil fazê-la funcionar a 100%, são vários países em diferentes continentes. Dentro das limitações próprias de uma organização desta natureza, a CPLP tem funcionado bem”, argumentou Ivone Barreto que, tal como Macário Sampa, defendeu mais trocas comerciais dentro dos “nove”.

Em São Tomé e Príncipe, de uma forma geral, os são-tomenses conhecem a CPLP e refletem idênticas preocupações e críticas, havendo, porém, quem, alegando “não perceber muito de política”, diga que a organização lusófona “é aquilo de Portugal” e “aquela coisa da língua portuguesa”, tal como referiu António Fernandes, 56 anos, nascido em São Tomé, uma ilha de onde nunca saiu.

Curiosa é a impressão deixada por Diego, 11 anos: “não sei o que é. Mas sei que falamos todos português, que foram os portugueses que ensinaram toda a gente”, disse à Lusa, apontando cinco países onde se fala a mesma língua: “Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola. Ah! e São Tomé”.

No Brasil, a CPLP será menos conhecida. A começar pelo que significa a sigla da organização lusófona: “algo relacionado com a cooperação de línguas portuguesas”, disse o cirurgião dentista Leomar Diniz, 50 anos.

“Tem havido muitas reuniões entre Portugal e os países que já foram colónias portuguesas para tentar, de alguma forma, equilibrar a língua e a gramática, padronizar e fortalecer o conhecimento da língua portuguesa”, disse Leomar Diniz, admitindo desconhecer outras valências da CPLP.

A contabilista Kelly Neves respondeu à Lusa que nunca ouviu falar na sigla CPLP, tal como o estudante estagiário Andrei Júnior e a publicitária Marina Padrão, a quem nem a designação Comunidade dos Países de Língua Portuguesa soou familiar.

O analista de segurança Cláudio Nogueira também não identificou a sigla CPLP, mas admitiu saber tratar-se de uma organização que congrega “todos os países que falam a língua portuguesa”, sem conseguir identificar os nove países.

Idênticas dificuldades foram manifestadas em Díli, onde Salomão Maia, funcionário público, 30 anos, sabe muito pouco da CPLP além do que a sigla significa e que Timor-Leste faz parte por causa da língua portuguesa. No entanto, não sabe o que a organização faz e muito menos conhece qualquer projeto.

Guilhermina Soares, 29 anos, contabilista, Manuel Correia, secretário, 23 anos, e Maria Silva, empregada de balcão, 24 anos, também sabem pouco sobre a CPLP, afirmando, porém, ser bom que Timor-Leste pertença ao grupo.

“Ajuda na ligação entre os países, nas áreas da política, da economia e outras. Mas deviam explicar mais o que fazem, porque não sabemos”, disse Maria Silva.

Em Lisboa, Pedro Borges, reformado, 66 anos, Ricardo Santos, empregado bancário, 43 anos, Rita Mendes, empregada de balcão, 21 anos, Pedro Soares, desempregado, 25 anos, e Júlia Palhinhas, estudante, 18 anos, afirmaram conhecer a CPLP, mas criticaram a “pouca visibilidade” da organização.

“Cooperação com Países de Língua Portuguesa” foi a forma como Júlia Palhinhas identificou a sigla da CPLP, enquanto os nomes dos Estados-membros foram avançados corretamente por Pedro Soares, amante de futebol e da leitura de jornais desportivos, que disse ter-se baseado nos “rankings” mensais da FIFA, cuja tabela destaca a prestação de Portugal e de todos os restantes países de língua portuguesa.

JSD/PVJ/MB/PJA/ASP/ANYM/EYAC/RYPE // VM

Lusa/Fim

Fonte: Impala

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